Os próximos poemas foram feitos no trote em ocasião da minha posse na Academia de Letras NE (comunidade de poesia do orkut).
Aí vai:
No que minhas entranhas revelam
Estranhas manhãs condensam o dia.
E aminha vida
Escorre nos vazios passos que passam
Lá fora afora...
Será que é porque a hora
De me perder em abismos
Que dizem ser alma
Finalmente chegou?
No que meus rasos suspiros raros vertem
Só uma imagem aparece:
Eu no tempo querendo ser vento
Nos farrapos do sentimento
Para tecer-se alguém...
Apenas alguém tendo mais que músculo no peito.
Mais um:
As estrelas no céu
Deixam as vistas belas,
Mas o melhor é bebê-las
No mesmo copo do nosso licor.
Porque a noite que eu sei de cor
É pelo amor que me guia
Entre as luas de furor.
As ondas do mar
Embalam suspiros e pensamentos,
Mas o melhor é tecê-las
No lençol do nosso torpor.
Porque o balanço que adentra pelo que for
Relicário é pelo amor que guia
Os meus sentidos blindados contra dor.
Agora só peço que me chame
Me ame
Além do entendimento...
Após qualquer viver que limite o nosso tempo.
E outro:
O tempo que quiseram transpor
Na cadência do relógio
Tem um ar muito lógico
Para dar conta do acerto de contas.
O tempo que tentaram converter
Dentro da pressa de encurtar distâncias
Pouco alimenta a verdadeira ânsia
De colocar os corpos libertos de outros corpos.
O tempo que os homens buscaram
Dentro de ângulos e arcos de progresso
Não alcança o credo
Que na vida incide:
Aqueles minutos dentro do grão
Em que os olhos guardam
A última página da andança, onde as gotas de sal rasgam
A tese do melhor caminho...
O mistério do tempo é agora. O depois é outro engenho...
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